Osteonecrose do Quadril

Necrose avascular da cabeça femoral

Conceito:

Osteonecrose do quadril é uma condição dolorosa que ocorre quando o suprimento de sangue para o osso é interrompido, ou seja, um infarto ósseo. Sem um suprimento de sangue as células ósseas morrem, levando a alterações do formato e funcionamento do quadril. Como consequência, a osteonecrose pode levar à destruição da articulação do quadril e artrose. Osteonecrose é também chamada de necrose avascular ou necrose asséptica. A osteonecrose ocorrer também em outras regiões do corpo, mas as áreas mais comumente afetadas são os quadris e os joelhos.

Causa:

A lista de possíveis causas da necrose da cabeça do fêmur é extensa, porém em cerca de 80% dos pacientes a causa é a ingestão de álcool ou uso de medicações, principalmente corticóides.

O mecanismo pelo qual estas causas levam à necrose óssea é variável, incluindo dano direto aos vasos, elevação da pressão intra-óssea e lesão direta das células. A cabeça femoral enfraquecida pela necrose do tecido ósseo acaba por colapsar e deformar na maioria dos pacientes com necrose.

Sintomas:

A osteonecrose desenvolve-se em fases. A dor no quadril é, normalmente, o primeiro sintoma. Isso pode levar a uma dor intensa ou uma dor latejante na virilha ou região glútea. Conforme a doença progride, se tornará mais difícil ficar de pé e colocar peso sobre o quadril acometido, assim como movimentá-lo. O tempo de progressão da doença através destes estágios varia de alguns meses a mais de um ano. É muito importante diagnosticar a doença precocemente, pois alguns estudos mostram que o tratamento precoce está associado com melhores resultados.

Tratamento:

Embora as opções de tratamento não cirúrgico, como medicamentos ou muletas, podem aliviar a dor e retardar a progressão da doença, as opções de tratamento de maior sucesso são as cirúrgicas.

Pacientes com osteonecrose, diagnosticados em fases precoces (antes do colapso da cabeça femoral) são ótimos candidatos para os procedimentos de preservação da articulação do quadril.

Artroplastia do quadril - Tipos de próteses

O uso de uma prótese adequada é um fator importante para que os bons resultados da artoplastia perdurem a longo prazo, de forma que os pacientes possam manter uma vida ativa e sem dor.

Da mesma forma que um quadril natural, a prótese de quadril possui basicamente 2 partes: acetabular e femoral. Existe uma grande diversidade de modelos disponíveis, variando deste o meio como se fixa a prótese ao osso até o tipo de material utilizado onde ocorre o movimento.

Para que funcione adequadamente, a prótese deve estar fixa ao osso e esta fixação pode ser alcançada através de duas técnicas:

Componentes acetabulares cimentados

Estes componentes são produzidos apartir de um tipo especial de plástico conhecido como polietileno de ultra alto peso molecular. Este plástico possui alta resistência ao desgaste e tem sido melhorado nos últimos anos através do uso de tipos especiais de radiação para aumentar as ligações entre as moléculas (polietileno "cross-linked"). Os componentes acetabulares cimentados são fabricados em diversos diâmetros, para serem usados de acordo com a anatomia do paciente. A sua superfície externa é irregular de maneira a facilitar a fixação ao osso acetabular com cimento ósseo. A superfície interna é côncava e onde a cabeça femoral irá articular.Geralmente um anel metálico está presente permitindo a identificação na radiografia. 

Componentes acetabulares não-cimentados

 Os componentes acetabulares não-cimentados são geralmente produzidos com titânio ou ligas especiais de titânio e fixam-se através do crescimento ósseo para dentro de microscópicos orifícios em sua superfície metálica. Este crescimento ósseo demora algumas semanas para se completar e é o que fixa definitivamente o componente acetabular ao acetábulo. Geralmente são produzidos com orifícios para a colocação de parafusos, utilizados algumas vezes para auxiliar na fixação inicial da parte metálica ao osso. Existem alguns modelos revestidos por hidroxiapatita para auxiliar a fixação definitiva ao osso. 

Na parte interna do componente metálico, encaixa-se um componente de polietileno ou cerâmica que fará articulação com a cabeça femoral.

Componentes femorais cimentados

Da mesma forma que no acetábulo, os componentes femorais podem ser fixados ao osso com ou sem cimento ósseo. Os componentes cimentados são de superfície polida e geralmente compostos de ligas especiais de aço ou cromo-cobalto. Eles são produzidos em variados tamanhos e existem em formatos especiais para pacientes com fêmures deformados, muito grandes ou estreitos. Na sua parte proximal é acoplada a cabeça femoral artificial, que fará a articulação com o componente acetabular. Essa cabeça femoral pode ser metálica ou de cerâmica, e com variados diâmetros. 

Componentes femorais não-cimentados

Para que ocorra crescimento ósseo que fixe os componentes femorais não cimentados, estas próteses são inseridas sob pressão no canal femoral. Elas são geralmente compostas por ligas especiais de titânio mais rígidas que as usadas nos componentes acetabulares. Eles são fabricados em diferentes tamanhos, com modelos especiais para pacientes com canais femorais muito estreitos, largos ou deformados. A parte proximal (superior) é o local onde a cabeça femoral é acoplada. A parte intermediaria possui microporos que devem ser preenchidos por osso para que ocorra a fixação da prótese. Também existem os componentes revestidos por materais sintéticos com composição parecida a do osso e que axiliam na fixação da prótese ao osso do paciente.

Cabeças

Para fazer a articulação entre os componentes acetabular e femoral, utilizam-se cabeças femorais de ligas de aço, cromo-cobalto ou cerâmica. Estas são disponíveis em diferentes tamanhos dependendo do fabricante e do componente acetabular. O cirurgião tem também a opção de cabeças que encaixam em diferentes profundidades, permitindo que se ajuste a anatomia de cada paciente. Os mesmos tipos de cabeça femoral utilizados nas próteses femorais cimentadas podem ser utilizados nas não-cimentadas.

Prótese parcial do quadril

Em casos de fratura do colo femoral em idosos com cartilagem do acetábulo preservada, eventualmente pode ser utilizado o componente femoral com uma grande cabeça femoral de metal articulando diretamente no acetábulo do paciente, com a articulação se fazendo diretamente entre a cabeça femoral metálica e a cartilagem acetabular. Nesta situação a artroplastia é conhecida como parcial, ou seja, o componente acetabular protético não é utilizado.

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